Dissertação/Tese do PPGREAB
A VELOCIDADE DE MARCHA COMO INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO FUNCIONAL EM PACIENTES COM MIOCARDIOPATIA CHAGÁSICA EM REGIÃO ENDÊMICA
Discente de mestrado Ver currículo Lattes Ver ORCID Ver página pessoal Data: 13/02/2026 Hora: 09:00 Local: Centro Integrado de Pesquisa e Pós-Graduação (CIPq)
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Marina Silva Reis
Defesa
ResumoPalavras-chave:
Introdução: A doença de Chagas (DC) permanece um importante problema de saúde pública em áreas endêmicas da América Latina, marcadas por vulnerabilidade social e acesso limitado a serviços especializados. Com o envelhecimento progressivo da população infectada, torna-se cada vez mais relevante monitorar a capacidade funcional, especialmente em pessoas de meia-idade. Nesse contexto, são necessários instrumentos simples, objetivos e de baixo custo, viáveis em cenários com restrições estruturais, como a velocidade da marcha. Objetivo: Avaliar a validade da VM como instrumento de mensuração da capacidade funcional em pacientes com DC residentes em região endêmica. Métodos: Estudo transversal conduzido em centro ambulatorial de referência em região endêmica, incluindo 177 adultos com diagnóstico sorológico confirmado de doença de Chagas e maiores de 50 anos de idade (57 na forma indeterminada e 120 com cardiomiopatia chagásica crônica [CCC]). Foram coletadas variáveis clínicas, incluindo a classe funcional da NYHA, e realizados ecocardiograma, testes funcionais e avaliação da VM por protocolo padronizado a 4 metros. A validade da VM foi investigada por sua associação com parâmetros clínicos, ecocardiográficos e funcionais. Resultados: Na população total do estudo, a VM correlacionou-se significativamente com a idade (r = −0,280; p < 0,001) e com a pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP) (r = 0,289; p = 0,002). Não foram observadas correlações significativas com a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) (r = 0,090; p = 0,237) nem com o diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo (LVDd) (r = −0,159; p = 0,083). Entre as variáveis funcionais, a VM correlacionou-se com a dinamometria de preensão manual (r = 0,323; p < 0,001), o teste sentar-levantar de 5 repetições (STS5) (r = −0,365; p < 0,001), o teste sentar-levantar de 60 segundos (STS60) (r = 0,470; p < 0,001), o escore do Perfil de Atividade Humana (PAH) (r = 0,240; p = 0,001) e o Duke Activitu Statis Index (DASI) (r = 0,441; p < 0,001). Quando estratificada pela forma clínica da doença, a velocidade da marcha manteve correlação significativa com todas as medidas funcionais (STS5, STS60, dinamometria por preensão manual, HAP e DASI) tanto nos pacientes com a forma indeterminada quanto naqueles com CCC. Por fim, o teste de hipótese indicou diferença significativa na velocidade da marcha entre as classes funcionais da NYHA (p = 0,038). Conclusão: A VM mostrou-se aplicável como medida funcional simples e potencial instrumento complementar para avaliação clínica e estratificação funcional em pacientes com doença de Chagas em contexto endêmico.
Cardiomiopatia; Doença de Chagas; Tolerância ao Exercício; Velocidade de marcha; Desempenho físico funcional.
AbstractKeywords:
Introduction: Chagas disease (CD) remains an important public health problem in Latin American endemic areas, which are often characterized by social vulnerability and limited access to specialized services. As the infected population progressively ages, monitoring functional capacity becomes increasingly relevant, particularly among middle-aged adults. In this context, simple, objective, and low-cost tools that are feasible in resource-limited settings, such as gait speed (GS), are needed. Objective: To evaluate the validity of GS as a measure of functional capacity in middle-aged patients with CD living in an endemic region. Methods: Cross-sectional study conducted at a reference outpatient center in an endemic region, including 177 adults with serologically confirmed CD and older than 50 years (57 with the indeterminate form and 120 with chronic Chagas cardiomyopathy [CCC]). Clinical variables, including NYHA functional class, were collected, and participants underwent echocardiography, functional tests, and GS assessment using a standardized 4-meter protocol. The validity of GS was assessed by its associations with clinical, echocardiographic, and functional parameters. Results: In the overall study population, GS correlated significantly with age (r = −0.280; p < 0.001) and pulmonary artery systolic pressure (PASP) (r = 0.289; p = 0.002). No significant correlations were observed with left ventricular ejection fraction (LVEF) (r = 0.090; p = 0.237) or left ventricular end-diastolic diameter (LVDd) (r = −0.159; p = 0.083). Among functional variables, GS correlated with handgrip strength (r = 0.323; p < 0.001), the five- repetition sit-to-stand test (STS5) (r = −0.365; p < 0.001), the 60-second sit-to-stand test (STS60) (r = 0.470; p < 0.001), the Human Activity Profile (HAP) score (r = 0.240; p = 0.001), and the Duke Activity Status Index (DASI) (r = 0.441; p < 0.001). After stratification by clinical form, GS remained significantly correlated with all functional measures (STS5, STS60, handgrip strength, HAP, and DASI) in both the indeterminate and CCC groups. Finally, hypothesis testing showed a significant difference in GS across NYHA functional classes (p = 0.038). Conclusion: GS was feasible as a simple functional measure and may serve as a complementary tool for clinical assessment and functional stratification of patients with CD in endemic settings.
Cardiomyopathy; Chagas disease; Exercise tolerance; Gait speed; Physical functional performance
Banca de defesa
PresidenteNacionalidade: Brasileira Ver currículo Lattes Ver ORCID Ver página pessoal
HENRIQUE SILVEIRA COSTA
Participante internoNacionalidade: Brasileira Ver currículo Lattes Ver ORCID Ver página pessoal
MARCUS ALESSANDRO DE ALCÂNTARA
Participante externoNacionalidade: Brasileira Ver currículo Lattes Ver ORCID Ver página pessoal
JOUSIELLE MÁRCIA DOS SANTOS